Tecnologia, investimento ou solução para redução de custos?
Por Luís Vabo, diretor do Reserve e coord. Comitê Tecnologia da ABGEV
Panrotas - Edição Especial Pré-Lactte - Janeiro 2009
De nada adianta “evitar falar da crise”, como apregoam os otimistas incorrigíveis, como nosso Presidente da República. Especialistas do mercado insistem com a tese de que sentiremos os efeitos da crise americana pelos próximos dois anos. Portanto, melhor estar preparado para uma nova realidade, do que assumir a “síndrome do avestruz”. Penso que se o monstro não for tão feio assim, no mínimo teremos nos capacitado a trabalhar de forma mais otimizada.
Em cenários como este, empresas de todos os segmentos iniciam um processo de enxugamento de custos operacionais e cortes de despesas de curto prazo, procurando manter saudável seu equilíbrio financeiro. As decisões de investimentos voltam a ser tarefa árdua. A área financeira, por sua vez, direciona seus esforços às atividades que têm impacto direto nos resultados, como vendas, controle de desempenho e custos. Isso é absolutamente natural, pois trata-se um momento de re-avaliar estratégias de médio e longo prazos e revisar planos de meta.
Independentemente do segmento empresarial, toda esta adequação tende a colocar em evidência três temas fundamentais: recursos humanos, processos e tecnologia.
Considerando que as despesas de pessoal são o principal centro de custo da maioria absoluta das empresas de qualquer setor, há uma tendência simplista de se focar primeiramente este ponto. Podemos dizer que as empresas são formadas por pessoas e mais alguns outros itens específicos e, portanto, manter a equipe, de preferência motivada, coesa e segura, é tarefa crucial no estabelecimento de uma estratégia de equilíbrio econômico em ambiente desfavorável.
O reestudo e o mapeamento dos processos, associados a uma política de capacitação da equipe, são ferramenta importante na otimização do trabalho e redução de custos. Não basta saber fazer, há que se multiplicar o saber fazer de forma eficaz, através do detalhamento e registro dos processos, com rastreabilidade e garantia de retenção do conhecimento. A revisão acurada dos processos permite tomar medidas corretas de realinhamento neste período de incertezas.
Bem, e onde entra a tecnologia nisto?
Cada vez mais, as soluções tecnológicas passam a concentrar a responsabilidade pela seleção do que é importante para a saúde da empresa. Através de sistemas de gestão em tempo real, agiliza-se a avaliação de necessidades e a busca de informações em curto prazo se torna mais acessível, permitindo a tomada de decisões e a integração da cadeia de fornecedores. O rigoroso controle dos custos, dos investimentos, dos estoques, das compras, dos ativos e do desempenho financeiro, cada vez mais, torna-se a base das soluções corporativas.
Neste horizonte indefinido da economia mundial, o investimento em tecnologia se constitui uma efetiva oportunidade de crescimento e de sustentabilidade para as companhias, pois exerce as atribuições fundamentais na identificação, de um lado, dos projetos que trarão mais eficácia, competitividade e retorno à organização, e de outro, dos fornecedores que trarão maior qualidade e redução de custos.
Processos geridos por sistemas com informações confiáveis e transparentes possibilitam o aprimoramento da eficiência da organização. Os sistemas integradores de gestão de viagens corporativas, as soluções de gestão de pagamentos com cartão de crédito, os sistemas backoffices das agências de gestão de viagens, os sistemas ERPs (Enterprise Resource Planning), as soluções de integração entre variados sistemas etc. etc. são realidade no Brasil já há alguns anos, como demonstrou o 1º Workshop ABGEV de Tecnologia, no final de 2008.
Além das soluções tecnológicas para o viajante corporativo, como as de uso pessoal (portabilidade total, wimax, touch screen etc.), as da hotelaria (check-out express, internet banda larga gratuita, gestão de pagamento com cartão de crédito etc.), as das cias. aéreas (self-booking, web check-in, internet on board etc.), espera-se para este ano a maior das novidades, sem a qual todas as demais não triunfariam, que nada mais é do que a adesão ao uso da tecnologia como instrumento de eficácia.
Sim, a adesão das corporações às soluções tecnológicas específicas para gestão e redução de custos em viagens corporativas é a grande aposta para 2009. Premidas por uma necessidade concreta em reduzir custos de viagens, sem perder negócios, as empresas deverão despertar para a necessidade de fazer mais com menos. Perceberão que as soluções integradas são a verdadeira solução num ambiente em que, por um longo período, as operações no mercado serão enxutas e de menor margem de lucratividade.
Por outro lado, as empresas de tecnologia, que também vivenciam este mesmo mercado, também estarão mais abertas e flexíveis. Por isso, modelos de negócios inovadores e baseados em sucesso podem ser a resposta para quem precisa gerir e reduzir custos, mas não tem como investir neste momento.
Os efeitos colaterais gerados pelo sistema financeiro mundial poderão permanecer por um longo período e, durante o processo de recuperação da economia, seguramente a tecnologia será a principal ferramenta daqueles que souberem ver oportunidades de negócio. Quem for ao LACTTE 2009 terá uma excelente amostra de algumas dessas oportunidades.
Luís Vabo é coordenador do Comitê de Tecnologia da ABGEV e diretor comercial do sistema Reserve.